terça-feira, 18 de julho de 2017

Para quando o ministério das Preces?

É verdade que os especialistas na matéria consideram que os incêndios que anualmente assolam o país têm como causas principais o despovoamento do interior, o desordenamento do território, o abandono dos campos e a florestação à base de espécies que ardem com grande facilidade. Para qualquer pessoa de boa fé e que não desconheça por completo o interior do território do Continente este discurso faz todo o sentido.
Não é essa, porém, a leitura veiculada em geral pelos órgãos de comunicação social e pelos senhores jornalistas, mais interessados uns e outros em atirar as culpas para cima do Governo, por razões que eles lá sabem e que até eu facilmente adivinho. Por mera coincidência ou, o que é mais provável, não, os líderes da oposição fazem a mesma leitura. Ainda que tal não seja motivo para surpresa, forçoso é considerar como ridícula uma tal atitude por parte de anteriores governantes que nada fizeram para enfrentar o problema, tendo, isso sim, contribuído para o agravar, ao permitir a plantação do eucalipto sem limitações.
Especialmente risível é a actuação da actual líder do CDS, Assunção Cristas, que, quando ministra do governo Passos/Portas, perante o problema da seca que, na altura, atingia e afligia o país, em vez de agir, se limitou a proclamar: «Devo dizer que sou uma pessoa de fé, esperarei sempre que chova e esperarei sempre que a chuva nos minimize alguns destes danos. Como é evidente, quanto mais depressa vier, mais minimiza, quanto mais tarde, menos minimiza.». 
Para alguém que, quando ministra, resolvia os problemas da seca, recorrendo à fé, é de admirar que, a par das críticas dirigidas ao Governo, Assunção Cristas não tenha, até agora, apresentado a António Costa a proposta de criação do ministério das Preces a encabeçar por alguém com experiência na matéria. Dir-se-ia até que Assunção Cristas seria a pessoa indicada, pois não há dúvida que experiência em matéria de preces ela tem.
(imagem: Lusa/Paulo Cunha)

sábado, 15 de julho de 2017

Quanto mais esbracejam, mais se afundam!

Passos Coelho & Assunção Cristas *.
É o que inequivocamente mostra esta sondagem
De facto, o esbracejar de ambos a propósito dos incêndios que devastaram Pedrógão Grande e os concelhos limítrofes só serviu para que os inquiridos atribuíssem à actuação da dupla as únicas notas negativas (Cristas: 7,6; Coelho: 5,2).
* (ilustração daqui)

2 vezes NÃO!

Portugueses não querem, nem a demissão de Constança Urbano de Sousa, nem a de Azeredo Lopes, por muito que a realidade pese à esganiçada líder do CDS, Assunção Cristas!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Falta de legitimidade?

Não há maneira de a direita portuguesa perder o vezo de questionar a legitimidade da actual solução governativa, quer durante os debates parlamentares, quer fora deles. Os remoques a este respeito dirigidos ao primeiro-ministro durante os debates parlamentares, como os que ainda recentemente se ouviram durante o "Debate sobre o Estado da Nação", pela boca do deputado Montenegro  (PSD) atingem as raias da obscenidade.
Se a direita supõe que ganha algo com tal exercício, que serve apenas para provar que quem a ele se dedica convive muito mal com as regras da democracia, está mesmo muito enganada. 
A prova de que assim é podemos vê-la com toda a clareza na confiança depositada pelo povo na Assembleia da República, o órgão de soberania donde emana a legitimidade do Governo. De acordo com o Portal de Opinião Pública da Fundação Francisco Manuel dos Santos,  a percentagem de portugueses que confiavam no Parlamento andava, em Maio de 2013, pelos 13% e em Dezembro de 2015%, pelos 19%. Em Maio deste ano, essa percentagem atinge os 46% . 
Um salto desta dimensão tem um significado que não pode ser escamoteado: se hoje a confiança dos portugueses no Parlamento é  muito superior à manifestada ao mesmo órgão de soberania durante a anterior sessão legislativa é porque há também uma muito maior identificação dos portugueses com os seus representantes. Existindo essa maior identificação, é evidente, perante aqueles números, que a legitimidade que poderia ser posta em dúvida, não poderia nunca ser a do actual Governo.
Se fizesse algum sentido levantar a questão da falta de legitimidade em relação a qualquer Governo com sustentação parlamentar essa questão teria de ser posta em relação ao anterior governo liderado por Passos Coelho e sustentado na Assembleia da República por uma maioria de direita ((PSD e CDS) em que os portugueses depositavam uma bem menor confiança.
Se fizesse algum sentido, dizia eu, mas, para mim, não faz. Só tem sentido para quem age, em política, com o descaramento e a pouca vergonha do deputado Montenegro. E não só.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Não compreendesse eu o castelhano e ficaria sem saber...

"El primer ministro portugués sale reforzado del debate de la Nación"
Por estranho que pareça, uma conclusão semelhante à publicada na edição electrónica do "El País", pelo jornalista espanhol Javier Martin não é possível encontrá-la nos media portugueses, como facilmente se pode comprovar. 
O facto significa inequivocamente que a direita domina toda a comunicação social portuguesa . A tal ponto que já nem se dão ao trabalho de disfarçar. Hélas!
(ilustração daqui)

quarta-feira, 12 de julho de 2017

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Procuram-se...

Só não vê quem não quer: isto não é apenas um "crime". É, como diz o povo,"um crime e pêras". Ou mais pêras que crime, penso eu.
Em todo o caso, levando o Ministério Público tão a peito um "fait divers", sem qualquer relevância criminal e que vai acabar em absolvição, só é de estranhar que os "criminosos" (por quem tenho muita consideração, admito) tenham andado à solta durante um ano. E continuem.
O ridículo não mata, diz-se, mas talvez justificasse, neste caso, uma vassourada. No Ministério Público, entenda-se.

(imagem daqui)

domingo, 9 de julho de 2017

Lição sobre optimismo


«(...)
Optimismo – Há aqui uma lição para governos e governantes: o optimismo pela sua própria natureza nas questões públicas dura sempre pouco e é muito frágil. A realidade está sempre mais próxima do que corre mal do que o que corre bem.»
(José Pacheco Pereira: "Tribulações de um Governo optimista;" in "Público", 08/07/2017. Via)

Eu diria que a lição também é proveitosa para governados. Convém não embandeirar em arco. Nunca por nunca.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Mosteiro dos Jerónimos, hoje






"Obra-prima da arquitetura portuguesa do século XVI, está classificado como Monumento Nacional e inscrito na lista de Património Mundial da UNESCO (1983). O Mosteiro dos Jerónimos situa-se numa das zonas mais qualificadas de Lisboa, um cenário histórico e monumental junto ao rio Tejo, local de onde partiram as naus e caravelas no tempo das Descobertas que viriam a dar “novos mundos ao mundo”. Na imponente fachada do Mosteiro, que se prolonga por cerca de trezentos metros, ergue-se o Portal Sul da Igreja, ricamente decorado, onde se destacam as imagens do Santo Patrono de Portugal, Arcanjo S. Miguel (ao cimo) e a imagem de Santa Maria de Belém, ou Nossa Senhora dos Reis (ao centro)." (Fonte)

"É preciso topete, falta de vergonha, descaramento"

«(...) 
A direita, melhor, esta direita encabeçada pela actual direcção do PSD utilizou o Estado como saco de boxe durante cinco anos. Que agora venha clamar contra o enfraquecimento do Estado para atender a todas as suas responsabilidades só não mata de vergonha porque ninguém morre de vergonha. (...) »
(Nicolau Santos: "Ena! Tantos defensores do Estado que estavam escondidos !". na íntegra: aqui)

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Demissão imediata: a opção mais fácil, mas a mais perigosa.

A demissão da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa e a do ministro da Defesa, José Alberto Azeredo Lopes, aquela pedida logo no rescaldo dos incêndios que tiveram início no martirizado concelho de Pedrógão Grande e a do ministro reclamada na sequência do "roubo de armas de Tancos", continuam, pelos vistos, na ordem do dia.
Justifica-se, por isso, que também aqui se escrevam umas quantas linhas sobre o assunto.
Começo por salientar que tendo a concordar com a declaração da ministra da Administração Interna quando ela afirmou que pedir a demissão teria sido para ela a opção mais fácil, afirmação que, estou seguro, o ministro da Defesa, José Alberto Azeredo Lopes não teria qualquer dúvida em subscrever. Essa opção seria, sem sombra de dúvida, para qualquer deles, a forma mais expedita de se livrarem de todas preocupações relacionadas com os infaustos acontecimentos e ao mesmo tempo o melhor modo de fazer esquecer eventuais responsabilidades. Sabe-se como é: bodes expiatórios sacrificados, culpas expiadas.
Para o Estado e para o país, porém, a demissão imediata dos referidos ministros, tal como vem sendo insistemente reclamada pelos  estridentes líderes do PSD e do CDS, antes de apurados os factos e as correspondentes responsabilidades, seria um erro, visto que não há responsabilidade política sem culpa apurada, a menos que se entenda que a responsabilidade política dos ministros é objectiva, entendimento que não só não tem sustentação nem legal, nem constitucional, como é perigoso. De facto, alargue-se o conceito de responsabilidade política objectiva a todos os titulares dos órgãos de soberania (e, uma vez que se enverede por esse caminho, não haverá forma de parar) e extraiam-se as consequências. Duvido que se encontre melhor forma de decapitar o Estado.
Parece-me que os defensores da demissão imediata não perderiam nada se, por momentos, pensassem nisto.  O país era capaz de ganhar alguma coisa. 

Tropa-fandanga *

«(...)
Neste preciso momento, os oficiais não têm qualquer legitimidade para protestar. Pelo contrário, o Exército deve um pedido de desculpas ao país por ter falhado na mais básica das mais básicas das suas funções. O que o país precisa destes militares não é de oito páginas de paleio pseudo-patriótico para justificarem o cancelamento do que seria um vergonhoso ato de indisciplina. O país precisa de explicações muito claras sobre o que aconteceu em Tancos e só o Exército as pode dar. Talvez o facto de uma manifestação de militares fardados numa democracia consolidada ter passado pela cabeça destes oficiais ajude a explicar a balda instalada e este assalto tão absurdo que me parece mal contado.
Seguramente os portugueses serão solidários com as queixas dos militares perante os cortes absurdos que se continuam a fazer nos vários sectores do Estado, da saúde à educação, da segurança social à defesa. Desde que isso não sirva para o Exército atirar para longe as suas próprias responsabilidades. Primeiro expliquem-se, depois protestem. Primeiro mostrem algum sinal de vergonha perante o que aconteceu, só depois a indignação.»

(Daniel Oliveira, "Carta de uma tropa-fandanga " in Expresso Diário de 05/07/2017. Via onde poderá ser lido o texto na íntegra)

*Na verdade, com muito de fandanga e pouco ou nada de tropa.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Justiça de verão *

"Homem que ateou nove fogos leva pena suspensa."
* Em plena silly season. E mais não digo, que a notícia fala por si.
(Notícia e imagem daqui)

terça-feira, 4 de julho de 2017

Estado entregue aos bichos? Sim, esteve.

Os graves e recentes acontecimentos que enlutaram o país (incêndio de Pedrógão Grande e dos concelhos limítrofes) e deixaram os portugueses atónitos (o "roubo de armas" em Tancos) fizeram com que os agentes e sufragantes da direita portuguesa tivessem chegado à conclusão que tais eventos são a prova de que o "Estado falhou". 
Até poderá vir a provar-se o falhanço, mas se tal vier a ser comprovado, é mais que evidente que a falta de resposta adequada por parte do Estado, nos dois casos, tem que ser imputada, em primeira linha, ao facto de o Estado se encontrar fragilizado em consequência de uma política de cortes cegos levada a cabo pela direita durante toda a anterior legislatura, política tendente a reduzir o Estado ao mínimo dos mínimos. Estranhamente, a mesma direita que proclama a falência do Estado nos dois casos, recusa-se a assumir a responsabilidade pelas consequências da sua política de austeridade, orgulhosamente assumida, ao tempo, por Passos Coelho, com o seu tão irresponsável quanto famoso "custe o que custar".  A atitude da direita, confesso, não me admira minimamente, pois esta direita já deu provas de enorme hipocrisia e os seus mentores são mesmo especialistas no exercício de sacudir água do capote.
Por isso mesmo, é imperioso desmascarar esta direita decididamente hipócrita e irresponsável. Quando um seu paladino, como JMT, se interroga nas páginas de um jornal sobre se "O Estado português está entregue aos bichos?" há que responder que sim, mas mudando o tempo verbal. De facto, o Estado português esteve entregue aos bichos durante quatro anos e meio, o longo tempo que durou a anterior legislatura em que toda a direita (PSD/CDS) esteve no poder. Como sempre acontece ,os buracos provocados pela bicharada levam sempre algum tempo a aparecer. Não admira, por isso, que só agora estejam a vir ao de cima.
(imagem daqui)

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Temos golpe ?

"Os oficiais do Exército estão a ser convocados por email para uma manifestação na próxima quarta-feira, em Belém, em protesto contra a forma como cinco comandantes de unidades foram exonerados pelo chefe de Estado-Maior do Exército (CEME) na sequência do roubo de armamento de guerra em Tancos, na semana passada."
"O plano é começar com uma concentração às 11h30, em frente ao Monumento aos Mortos, na zona da Torre de Belém, e depois seguir em marcha silenciosa em direção ao Palácio de Belém. Aí, os oficiais deverão depor simbolicamente as suas espadas, perante a residência oficial do Presidente da República, que é o comandante supremo das Forças Armadas."( Fonte

Não parece que uma exoneração "temporária", baseada na necessidade de evitar interferências nas investigações sobre o caso do roubo de armas em Tancos, justifique tamanho alarido. E porque assim é, também não parece completamente absurdo admitir que entre os militares (de direita, presumo) haja gente interessada em desestabilizar a situação. Não estaremos ainda perante uma tentativa de golpe, mas não é de excluir, tal a desmesura do gesto, a hipótese de haver pessoas interessadas num qualquer ensaio nesse sentido.
Veremos. Em todo o caso, quem está por detrás da convocatória deve ter presente que "fascismo nunca mais."

sábado, 1 de julho de 2017

Um eurodeputado devoto do "Photoshop"

Para começo de conversa, há que reconhecer que o eurodeputado Paulo Rangel não tinha qualquer obrigação de comentar as lamentáveis declarações de Passos Coelho, líder do seu partido, sobre a suposta existência de suicídios por ele anunciados a toda a comunicação social e por ele atribuídos á falta de apoio psicológico às populações vítimas da grande calamidade que foram os incêndios que devastaram uma boa parte dos concelhos da Região Centro, suicídios que, afinal, não existiram a não ser na cabeça de quem não recua perante nada para colher dividendos políticos.
Sobre o assunto e sem reparo de maior, "de Conrado poderia ter guardado o prudente silêncio"  admito eu, mas a partir do momento em que se serve da coluna no "Público" (onde semanalmente pode destilar todo ou parte do seu veneno), para censurar um interveniente menor, o até então desconhecido João Marques, provedor da Misericórdia de Pedrógão Grande, alegadamente, futuro candidato pelo PSD à presidência da Câmara do mesmo concelho,  já lhe não é lícito escamotear a actuação vergonhosa de Passos Coelho em todo o caso.
E não pode escamotear, insisto, porque, na circunstância, se alguém agiu errada e levianamente foi precisamente Passos Coelho. Pese embora a Rangel, o dito João Marques é, no caso, um interveniente menor, mesmo que seja verdade ter sido ele quem forneceu a Coelho as (falsas) informações sobre os (inexistentes) suicídios, verdade de que duvido por razões que deixo para melhor ocasião, ou seja, para depois de obtida mais completa informação. O interveniente maior é, inquestionavelmente, Pedro Passos Coelho, porque, mesmo que a informação fosse verdadeira, só alguém sem escrúpulos é que se teria atrevido a usar a desgraça alheia para obter ganhos políticos falando de suicídios, um tema considerado pela generalidade dos especialistas como sendo de especial melindre, a merecer ser tratado com pinças.
Passos Coelho foi, por isso mesmo, objecto de censura generalizada a ponto de vários órgãos de comunicação social terem falado, a propósito do caso e do protagonista, em "suicídio político", fatalidade que, no entanto, não chegou à consumação, porque, passado o primeiro momento de estupefacção perante tamanho disparate, acabaram por surgir os socorristas de serviço.
O político salvou-se in extremis, é certo, mas as sequelas são, por enquanto, bem visíveis. Há, pois, todo um trabalho a desenvolver, pelo menos, para as disfarçar, se não for possível fazê-las desaparecer por completo. Esse é, claramente, o objectivo de Paulo Rangel com a nota por ele dedicada ao caso, ao fazer incidir todas as luzes sobre uma figura menor que pode ser conhecida localmente, mas que nada diz à generalidade dos portugueses, aproveitando a oportunidade para, ao mesmo tempo, apagar da fotografia a imagem de Passos Coelho. 
A técnica usada por Paulo Rangel não é nova e, se não estou em erro, é usada com alguma frequência por políticos, para falsear a história, sempre que tal se revela conveniente ao editor fotográfico. O procedimento, é óbvio, não abona nada a favor da honestidade intelectual de quem assim actua.
Não pretendendo, por ora, ir mais longe, por aqui me fico.
(ilustração daqui)

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Um partido (de) destrambelhado(s)

Já não são de agora, mas os sinais de desnorteamento de que o PSD vem dando mostras tornaram-se mais evidentes nos últimos dias e com maior intensidade ainda na sequência dos incêndios que devastaram os concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pêra, Ansião, Alvaiázere, Figueiró dos Vinhos, Arganil, Góis, Penela, Pampilhosa da Serra, Oleiros e Sertã e, onde, para maior e incomparável desgraça, pereceram mais de seis dezenas de pessoas. 
O próprio líder do partido, Passos Coelho é, sem sombra de dúvida, o melhor exemplo do referido desnorteamento ao anunciar, sem ter dos factos a confirmação, a existência de casos de pessoas que na sequência dos incêndios se teriam suicidado por falta de apoio psicológico, porque, no dizer de Coelho, o "Estado falhou".  O estado que afecta o líder do partido não é, porém, exclusivo de Passos Coelho. Infelizmente, o partido, no seu todo, dá mostras de desorientação em elevado grau, a ponto de, num dia, reclamar a constituição de uma comissão técnica independente para investigar tudo o que houver que averiguar em relação aos referidos incêndios, para, no dia seguinte, vir exigir completo esclarecimento sobre as responsabilidades do caso, num momento em que a comissão encarregada de as apurar ainda nem sequer está constituída.
Parece claro que maior destrambelhamento não é possível, mas há boas razões para crer que não é sem motivo: as notícias, cada vez mais frequentes, sobre o bom momento que a economia portuguesa atravessa, com os indicadores de confiança das famílias e das empresas em máximos históricos ou mesmo nunca vistos, confiança que é partilhada pelo próprio FMI que passou a acreditar que a economia portuguesa vai crescer este ano 2,5% e que a meta do défice avançada pelo Governo (1,5%) vai ser alcançada, é de molde, convenhamos, a enervar um partido e um líder que julgavam que tinham o monopólio do poder, num entendimento que nada tem a ver com as regras de funcionamento da democracia. 
Não sou muito de dar conselhos, mas neste caso e tendo em conta o interesse do país,  há um que se justifica: Tratem-se!
(imagem daqui)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Suicida sim, mas ressuscitado e com mortalha alvíssima

Não sei se a marca ainda existe, mas em tempos que já lá vão, era frequente o aparecimento de publicidade exaltando a excelência do OMO,  o detergente que, supostamente, é (era?) o que "lava [lavava?]mais branco".
Ignoro, repito, se o produto ainda existe, mas do que não tenho dúvidas é que, se alguma vez o citado detergente se impôs aos demais por "lavar mais branco", hoje tal seria impossível.
Na verdade, há actualmente na praça vários produtos com muito maior poder de branqueamento. Sem qualquer desprimor para os muitos e de vários tipos que são usados na comunicação social portuguesa, permito-me, atendendo a intervenções recentes, destacar um que actua sob a sigla JMT  (in extenso: João Miguel Tavares).  
Para demonstração da qualidade do agente de limpeza em questão, poderia chamar à colação dezenas das suas actuações, mas a mais recente, exibida hoje na última página da edição impressa do "Público", onde actua, dia sim, dia não, é suficiente. Numa crónica (a que dá o título de "O suicídio de Passos e a felicidade do PS" o agente em questão dá, aparentemente, como assente o suicídio de Passos Coelho a propósito das afirmações por ele feitas sobre uns supostos (e inexistentes) "suicídios em Pedrógão Grande", afirmações que o sobredito agente reconhece como inadmissíveis, quer os suicídios "tivessem existido ou não".
Dado Passos como morto, logo JMT o ressuscita, pois, embora Passos Coelho "estivesse tomado por um instinto politicamente suicidário que o leva a entregar corda, pescoço e patíbulo nas mãos da oposição", tudo se resume afinal a uma questão de forma. Passos, a falar de improviso, é, escreve JMT, um desastre. Não admira, por isso, que JMT repita o conselho "Ó Passos, escreve os discursos".
Ressuscitado o homem, eis que JMT se dá conta que nas vestes com que se amortalhou o suicida restam algumas manchas que é necessário remover e é verdadeiramente aqui que se revela toda a eficácia do detergente:
Primeira enxaguadela: "Passos Coelho tem três méritos enormes, que só não lhe são reconhecidos por quem não tem olhos na cara". É, claramente, o meu caso, que, com os olhos com que nasci, só vejo deméritos, onde JMT vê méritos. Sobre os méritos de Passos, passo, pois, adiante.
Segunda enxaguadela: "tão obsceno quanto a gafe de Passos Coelho foi a reacção da esquerda à sua gafe". Aos olhos de JMT, que, reparo, usa óculos, e, por isso, deduzo que também não deve ter muita acuidade visual, a eventual "felicidade" da esquerda é meio caminho andado para limpar a mortalha de Passos. 
Numa última enxaguadela, para completa limpeza, JMT acaba por lançar um desafio ao actual primeiro-ministro para que prove que é um verdadeiro líder, dando como mais que provado que Passos Coelho o é: "Os verdadeiros líderes conhecem-se nas más horas. Passos já provou estar à altura . Costa ainda não". 
O desplante de JMT a enaltecer um aldrabão contumaz, que, agora e antes como governante, deu provas de insensibilidade social nunca vista, nem antes, nem depois, e transformar um primeiro-ministro sempre agarrado às saias da senhora Merkel num estadista, é verdadeiramente homérico. Limito-me a constatar e termino:
Uma lavagem desta natureza, capaz de transformar um suicida num ressuscitado com vestes alvíssimas, não parece possível usando um simples detergente por muito excelente que seja. Um tal resultado só será alcançável, penso eu, com o uso de um produto que resulte da mistura de um detergente com um desinfectante. Uma tal mistura cheira mal? É evidente que sim!

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Suicídios...

Vendo bem, suicídios até houve, embora não os inventados por João Marques (provedor da Santa Casa da Misericórdia e alegadamente candidato pelo PSD à presidência da Câmara de Pedrógão Grande) e propalados por Passos Coelho (líder do PSD). Os suicídios a que me refiro são os dos dois mencionados sujeitos que, como indivíduos, ainda mexem, mas que, como políticos, estão mesmo mortos.
Dois políticos que, em assunto de tamanha gravidade e de tão grande sensibilidade social e sem curarem de saber da sua veracidade, divulgam informação falsa sobre a existência de casos de suicídio ocorridos na sequência do incêndio de Pedrógão Grande, alegando falta de apoio do Estado, com a evidente e única finalidade de obter ganhos políticos. não são gente em que se possa confiar. E político não merecedor de confiança é  morto político. 
Não é assim ? Se não é, devia ser.

Há limites que não se ultrapassam...

... mas que o irresponsável Passos Coelho ultrapassa com toda a leviandade: "O Estado falhou e está a falhar. Há pessoas que puseram termo à vida".

Perante o cabal desmentido, que tem o irresponsável Coelho a dizer? Provavelmente nada, como é próprio de um charlatão. 
A irresponsabilidade do sujeito não me admira, porque já deu suficientes provas de que não é pessoa confiável. O que continuo a não compreender é como foi possível que tal indivíduo tenha desempenhado as funções de primeiro-ministro do meu país. 

E sim, o que verdadeiramente me admira  é que o partido que ele continua liderar não se apresse a corrrer com ele. Enquanto tal não acontecer, pode afirmar-se que se Passos Coelho é uma vergonha enquanto político, o partido que o tolera não lhe fica atrás.
(ilustração daqui)

Os pirómanos do costume: nós!*

«Temos de alinhar as nossas exigências às condições do nosso tempo. Eu começaria então por aqui: os gestos que nos definem como portugueses, os interesses que nos movem, os hábitos que cultivamos, as pessoas que admiramos, as rotinas que estabelecemos em casa e no bairro onde vivemos, também no emprego para onde vamos todos os dias, as casas que decidimos erguer ou comprar, as árvores que vemos crescer, os políticos que elegemos e como nos relacionamos com eles. As leis que cumprimos e as que optamos por ignorar.

Ao fim de muitos e muitos anos, o que resulta desta soma de escolhas, boas e más, somos nós, os portugueses ao espelho, um povo reflectido na soma de tudo isto. É evidente que há acontecimentos brutais, como os incêndios de há uma semana, que podem ir muito além desta soma de características. Podem ser o resultado da sorte e do azar. Mas pode também dar-se o caso de esta sucessão de eventos trágicos ser a consequência da trajectória que escolhemos percorrer como comunidade, um caminho feito por vontade própria ou então pela mais estúpida das inércias, a motivada pelo desinteresse e desmazelo colectivos.

Chega então o momento da contagem dos mortos e dos hectares destruídos, quase 50 mil, uma barbaridade, e apontamos logo o dedo agressivo aos políticos, evidentemente culpados pela incúria de anos e talvez até pela gestão danosa dos recursos públicos. Têm responsabilidade os políticos, é verdade; nalguns casos têm até culpa, terão de ser os tribunais a julgar, mas antes de olhar para quem nos conduz devíamos olhar para nós próprios e voltar ao início: somar as características que exibimos, cultivamos e favorecemos como povo e daí tirar daí conclusões. Podemos até escolher factos pequenos, coisas sem importância do dia-a-dia, mas que começam por dizer quem somos.

Por exemplo, é proibido levar os cães para as praias concessionadas. E no entanto é vê-los a andar pelo areal, fazendo o que os animais fazem quando têm vontade, sem que a polícia faça cumprir a lei. Acontece o mesmo nas ruas de Lisboa, porcaria por toda a parte, um nojo inacreditável, passeios de sujidade medieval. Aceitamos e seguimos em frente, faz parte da paisagem como a floresta desordenada. O problema não são os cães, não é o eucalipto, somos nós. E um dia há uma doença qualquer, uma criança que vai para o hospital, uma daquelas micro calamidades urbanas que estimula o interesse jornalístico e provoca a indignação - geral, genérica, tardia.

Num país sem guerra, a preparação para a época de incêndios deveria ser a nossa guerra, talvez uma e várias, como em tempos o foi a redução da mortalidade infantil. Não há milagres, há anos piores ou melhores que dependem de vários factores, mas a evolução consistente exige esforço, obriga o cumprimento de rotinas de trabalho. Os aviões caem pouco porque há um método que tem de ser seguido pelos pilotos em todos os voos: há uma manual a seguir linha a linha, sem falhas. As mortes por infecção hospitalar diminuem sempre que são cumpridos os protocolos, alguns deles elementares: os médicos lavam as mãos após cada consulta, não passeiam os estetoscópio ao pescoço.

As pessoas, nós, os portugueses, queremos culpar os políticos por causa dos incêndios. Eles têm uma parte central da responsabilidade, mas a desgraça que vivemos é o resultado das nossas escolhas, uma a uma, todas somadas. O ponto é este. Algumas são opções pessoais - os nossos terrenos que não limpamos, os piqueniques que fazemos, os foguetes que lançamos, as práticas perigosas que toleramos, a beata que atiramos pela janela do carro. Outras colectivas, como os políticos que elegemos anos após ano, fruto da apatia generalizada e da cultura de compadrio.

Sim, o SIRESP é um negócio muito suspeito - não vinha com garantia? A ministra da Administração Interna e o Governo foram apanhados desprevenidos, como sempre. A GNR, a Protecção Civil e os bombeiros são tudo menos um corpo coeso. Vamos então apurar responsabilidades, sim, mas é bom que entendamos: hoje somos uma nação de especialistas em incêndios, amanhã voltaremos a ser os pirómanos do costume. (...)»
(André Macedo: "Os pirómanos do costume" . Na íntegra: aqui. Sublinhado meu)

*Digo "nós", porque não quero excluir-me da responsabilização atribuída ao colectivo nacional. Tal não significa, porém, que o "nós" inclua todos os portugueses. Ainda há, felizmente, muitos cidadãos com elevado sentido de responsabilidade.
(ilustração daqui)

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Por terras de Miranda

Por Miranda entenda-se Miranda do Douro (Miranda de L Douro, em mirandês)  cidade desde 1545 e em cujo centro histórico sobressai o imponente edifício da Antiga Sé, monumento nacional que poderá observar em agumas imagens ali obtidas recentemente.



quinta-feira, 15 de junho de 2017

Por terras de Trás-os-Montes: Vimioso




(Não sei se S. Vicente me perdoará,  mas a verdade é que o pormenor que me despertou mais atenção, foi a gárgula, um excelente exercício de imaginação, como acontece, com frequência)

terça-feira, 6 de junho de 2017