sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Luta livre

O evento foi anunciado como sendo um debate entre os candidatos à presidência do PSD (Rui Rio e Pedro Santana Lopes) e que iria ter lugar perante as câmaras da RTP.
O encontro realizou-se efectivamente, conforme fora anunciado, só que as  expectativas dos espectadores foram completamente logradas: em vez de assistir a um confronto de ideias entre dois candidatos à liderança dum partido político, a audiência foi "presenteada" com um combate de luta livre. E, por sinal, um péssimo combate, onde (hélas!) nem a actuação do "árbitro" se aproveitou.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

"Desinformação, calúnia e difamação"

Para fazer estas afirmações ( "Que não se caia no maior pecado da comunicação: a desinformação, dizendo apenas uma parte, a calúnia, que é sensacionalista, ou a difamação, procurando coisas já ultrapassadas, antigas, e trazendo-as à atualidade. Estes são pecados gravíssimos, que destroem o coração do jornalista e das pessoas") o Papa Francisco anda a ler, a ver e a ouvir a comunicação social portuguesa, concluo eu.
E daí talvez não, pois o Papa Francisco não chegou a referir-se a notícias mentirosas que é coisa muito em voga por cá.
(Imagem e notícia daqui)
(reeditado)

Uma história de sucesso!

Por muito que doa à direita ressabiada (de Passos Coelho e da Cristas) é de Portugal e do seu ministro das Finanças, Mário Centeno, que estão a falar:  "Centeno nomeado para a presidência do Conselho de Governadores do MEE".
(Imagem e notícia daqui)

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Quando "o silêncio é de oiro"

O dito segundo o qual "o silêncio é de oiro" nem sempre se mostra acertado, porquanto não faltam ocasiões em que se torna imperativo o falar. Certo, porém, é que a referida máxima faz todo o sentido sempre que alguém ensaia o abrir da boca para dizer disparates.
Quem ultimamente tem dado provas de que não conhece o provérbio é a presidente do CDS/PP, Assunção Cristas, que, com demasiada frequência, vem usando da palavra, quando, a meu ver, o aconselhável seria guardar um discreto silêncio.
Vêm estas considerações a propósito da afirmação da líder do CDS acerca da recente decisão da agência de notação financeira Fitch de retirar a dívida soberana de Portugal da categoria "lixo", elevando-a à categoria de investimento. Diz a sobredita Assunção Cristas, tentando, com a afirmação, desvalorizar o mérito do actual Governo que "o resultado poderia ter sido alcançado mais cedo, se o Governo fosse outro".
Como a afirmação é, pela natureza das coisas, de demonstração impossível, forçoso é concluir que rigor e seriedade não fazem parte da idiossincrasia da citada dirigente. Acresce que a imponderação de que a líder do CDS dá provas com a afirmação proferida, suscita de imediato uma réplica que não a favorece. Muito pelo contrário. De facto, se é sempre possível dizer que um outro hipotético Governo poderia ter conseguido o mesmo resultado mais cedo, do que não há dúvidas é que tal Governo nunca poderia ser igual ao (des)governo PSD/CDS de que a própria Assunção Cristas fez parte, visto que, tendo-se perpetuado no poder durante mais de quatro longuíssimos anos, não conseguiu o objectivo que o actual obteve em menos de metade do tempo.
Não é, seguramente, com afirmações deste tipo que a dirigente do CDS/PP chegará tão cedo ao (por ela) ambicionado cargo de primeira-ministra, para o qual, manifestamente, não está preparada, dada a imaturidade de que vem dando provas. Provavelmente, apesar da impetuosidade imprimida à corrida, tal só acontecerá quando as galinhas tiverem dentes.
É no que acredito.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Farelo do mesmo saco

Lendo e ouvindo o que os que os candidatos à liderança do PSD têm vindo a dizer, até parece que não têm mais nada para discutir a não ser o número de debates a realizar entre eles e qual a estação televisiva onde terão lugar, questão que, imagine-se, tem vindo a merecer a atenção dos candidatos desde a primeira hora e que, pelos vistos, continua por resolver. 
Dada a forma como a campanha tem vindo a decorrer, (o que tem relevado são tricas e não temas relevantes) não admira que a mesma não tenha suscitado até agora grande entusiasmo mesmo junto dos militantes do partido a quem caberá a escolher o próximo líder, afirmação que pode sustentar-se no facto, já conhecido, de os militantes em condições de poderem votar serem em número inferior ao das anteriores eleições para o mesmo cargo.
É verdade que os candidatos em presença são personalidades diferentes e nesse aspecto distinguem-se bem. No entanto, na falta ideias de que têm dado mostras durante a campanha, assemelham-se o bastante para que se possa dizer, que "são farinha farelo do mesmo saco".
(Na imagem: Rui Rio / Santana Lopes; Creditos:. D.R. / Reuters)
(Título reeditado)

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

"Pedaços de asno"

« (...)Um bom ministro das Finanças, como sabemos, nota-se pelo falar lennntooo, nunca pelo sorriso de parvo. Mas, sendo nós gente educada, nunca ninguém fez saber a Mário Centeno que ele tinha sorriso de parvo. Passos Coelho, da primeira vez que o ouviu no Parlamento, ficou com os ombros numa tremideira de riso contido pelo sorriso parvo do outro, mas lá se aguentou. E foi então que uma notícia absurda, mais que fake news, surgiu: Centeno era candidato a presidente do Eurogrupo!!! José Gomes Ferreira topou o desconchavo: "Sendo que este assunto só é notícia em Portugal porque é que só o governo fala disto?" Não liguem à falta de lógica, mas reparem no legítimo desprezo pelo sorriso parvo. Mas foi o candeia nacional Marques Mendes que nos iluminou. Centeno no Eurogrupo? "Mentira de 1.º de Abril... Campanha de autopromoção... É o seu ego... A sua vaidade... Está deslumbrado... Inchado... Muito inchado... Não há uma única alma lá fora que fale de Centeno... É um bocadinho ridículo uma pessoa assim a oferecer-se..." Ontem, Centeno foi eleito presidente do Eurogrupo. O que vai fazer amanhã? Não sei. Mas ontem soube o significado do sorriso parvo: esteve sempre a rir-se dos pedaços de asno
(Ferreira Fernandes: "O sorriso de parvo de Centeno". Na íntegra: aqui.)

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Uma boa/má/péssima notícia

A eleição do ministro das Finanças de Portugal, Mário Centeno, como presidente do Eurogrupo só pode ser considerada, do meu ponto de vista, como uma boa/excelente notícia. E nem sequer haverá necessidade de recorrer a grandes considerandos para tal se concluir. Bastará a certeza de que esta eleição vai reforçar a credibilidade externa de Portugal, com reflexos benéficos, quer no plano das finanças públicas, quer no plano da economia. É expectável, com efeito, que, em consequência e salvo alguma outra alteração de circuntâncias de sinal contrário, se  mantenha e até se acentue a tendência que nos últimos tempos se tem vindo a verificar no sentido da descida da taxas de juro incidentes sobre a dívida pública, sendo por outro lado legítimo esperar que se assista a um aumento significativo do investimento estrangeiro. 
Sabe-se o quanto é importante a diminuição das taxas de juro atendendo à dimensão da dívida pública portuguesa e também é sabido que, sem investimento, incluindo o estrangeiro, a economia portuguesa não poderá crescer ao ritmo que é possível e desejável. Dir-se-ia, pois, que não faltam razões para festejar a eleição de Centeno, ainda que sem injustificados optimismos.
Estranhamente, porém, alguma esquerda, com destaque para o PCP e para o BE,  não mostram nenhum entusiasmo com tal eleição. Muito pelo contrário, se atentarmos nas declarações vindas dum lado e doutro sobre o assunto, o que, de facto, não é muito compreensível. É que, se é verdade que a eleição de Mário Centeno, só por si, não significa uma reviravolta completa na política de austeridade defendida e seguida, até agora, pela maioria dos países do Eurogrupo, não é menos certo que alguma mudança em sentido contrário está fazer o seu caminho. A eleição de Centeno é, seguramente, um passo nessa direcção. Com efeito, sem uma mudança de orientação, Mário Centeno a presidir ao Eurogrupo não seria hipótese, nem possível, nem concebível. 
Essa era, precisamente, a ideia dos políticos e comentadores conotados com a direita que, ao longo de meses, se entretiveram a fazer troça com o caso, logo que a hipótese de candidatura do ministro das Finanças surgiu na imprensa. 
Não admira, por isso, que a direita veja no êxito da candidatura de Centeno uma péssima notícia. Com toda a razão, diga-se. É que a eleição em causa tem, de facto, o valor de uma certidão de óbito. Da TINA, precisamente. 
A direita tem plena consciência desse significado. Essa é, aliás, a razão pela qual políticos e comentadores de direita se têm desdobrado, nos últimos dias, em exercícios vários de contorcionismo. É um facto que se tem visto de tudo um pouco: desde políticos tão "clarividentes" como Santana Lopes e Rui Rio que na eleição de Centeno até conseguem ver a mão do governo Passos/Portas, até comentadores, como o Gomes Ferreira da SIC, que aqui tomo como expoente, que antes juravam que a política do actual Governo era a via mais rápida para um novo resgate, e que agora afiançam que o actual Governo mais não faz do que prosseguir a política de austeridade do governo da direita (de execrável memória)  da responsabilidade da dupla Passos/Portas.
Esta gentinha sabe perfeitamente que não é assim, pois não ignora que onde o governo Passos/Portas cortava salários, pensões, subsídios de férias e de Natal, o Governo actual repõe. E também sabe que, ao invés do  governo austeritário da direita, que brindou o país com um "colossal aumento de impostos", no dizer do próprio Vítor Gaspar, o ministro das Finanças na altura, o actual tem vindo, ainda que paulatinamente, a diminuí-los. 
Não vale a pena continuar a enumerar diferenças, tantas elas são e nem tal gente precisa que lhas recordem, pois, por alguma razão,  tanto se tem esforçado em denegrir a acção do Governo, ao longo dos dois anos que este leva de exercício. E, em boa verdade, também não vale a pena gastar "cera com tão reles defuntos", visto que tal gente não emite tão disparatadas opiniões devido a um qualquer equívoco. Tais opiniões são apenas fruto de mentes intelectualmente desonestas. Isso sim. 
(Foto: ANDRÉ KOSTERS/LUSA)

sábado, 25 de novembro de 2017

INFARMED: Quem é que anda à procura de lenha para se queimar?


A decisão de transferir a sede do INFARMED para o Porto é, nas actuais circunstâncias e a todas as luzes, um completo disparate. Outro galo cantaria, adiante-se desde já, se a candidatura do Porto à instalação da sede da Agência Europeia do Medicamento (EMA) tivesse sido coroada de êxito. Não foi o caso, como se sabe, pelo que a mudança da sede do dito Instituto para o Porto não só deixou de fazer sentido, como se revela completamente absurda. Com efeito, se é certo que a mudança não traz qualquer benefício para o país, como parece  evidente, também não há a mínima dúvida de que a transferência tem custos de não pequena monta. Desde logo, os inerentes à transferência, que não serão tão poucos como isso, pois fala-se em dezenas de milhões de euros, mas também e sobretudo os associados ao refazer das suas vidas por parte de centenas de funcionários que, do pé para a mão, se verão obrigados a mudar de casa. Eles e as famílias.
Com algum sentido de humor, até se poderia pensar que o Governo, na falta de problemas para resolver, achou por bem ser ele próprio inventar um para se entreter. Ora, é sabido que problemas para (e por) resolver é algo que não falta a este Governo, pelo que a decisão em causa, para quem a encare com objectividade e sem bairrismos só pode ser vista como incompreensível.
Tão incompreensível que, ao que noticia o "Expresso", até o "Governo já começou a recuar". A ser verdade o noticiado, com a mudança da sede, no Porto passarão a funcionar "sobretudo os serviços administrativos e de suporte". Em Lisboa manter-se-ão "os laboratórios e os serviços mais especializados". A ser assim, diria eu para abreviar, que a emenda é pior do que o soneto. Pior que errar é não admitir o erro e tentar disfarçá-lo. 
Um duplo erro que faz pensar que alguém no Governo (António Costa?) anda à procura de sarna para se coçar. Ou será de lenha para se queimar?
(Foto:PEDRO ROCHA / LUSA)

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Tecnoforma. Já ouviu falar?


"“Fraude”, concluiu o OLAF"
Já ouviu falar disto?
Pergunto, porque uma alegada fraude com fundos provenientes do Fundo Social Europeu que monta a  6.747.462 euros não merece, ao que tudo indica, o menor interesse por parte da generalidade da comunicação social. Com ressalva, obviamente, do Público que foi quem levantou a lebre. 
Tal dever-se-à ao facto de a fraude ser imputada à Tecnoforma, empresa de que Pedro Passos Coelho foi consultor e administrador ?
Pergunto. E perguntar não ofende, pois não?
(Foto de Rui Gaudêncio retirada do texto linkado supra)

"Parque Escolar - Os truques da acusação"


José Sócrates exercitando o seu direito ao contraditório.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Arte pública em Vila Nova de Milfontes

 

Estátua em metal reutilizado
Título: Arcanjo
Autor: Aureliano Aguiar
Data: 2007
Significado:  " Um grito, um alerta ao planeta que se desfaz, derrete. A dor ou a raiva e o desejo de salvar (ou arremessar?) o planeta que se degradou pela mão de humanos. Um apelo ecológico"(Fonte)

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Ir por lã e sair chamuscada

É o que antecipo que irá acontecer à líder do CDS/PP, Assunção Cristas (na imagem), com a iniciativa de apresentar na Assembleia da República uma moção de censura ao Governo, na sequência dos incêndios que têm devastado o país. Antecipo e desejo.
Como ela e o seu partido não estão isentos de responsabilidade no que respeita ao objecto da moção de censura (muito pelo contrário) lenha (*) para se chamuscar, enquanto ex-ministra da Agricultura do governo Passos/Portas, é coisa que não vai faltar. Espero bem.

(*) Uma pequena acha: «Julho de 2012, Catraia, Tavira... Era então Ministra da Agricultura Assunção Cristas... Aquele que foi considerado até este ano o maior incêndio ocorrido em Portugal, devastou 24 000 hectares da Serra do Caldeirão, atingindo os concelhos de São Brás de Alportel e de Tavira, percorrendo mais de 30 km, só parando quase às portas daquela cidade. felizmente não houve vítimas. O relatório elaborado então por Prof. Domingos Xavier Viegas apontou falhas graves na coordenação e combate, erros na percepção e análise do incêndio e falhas estruturais da estrutura de defesa da floresta e falhas nas comunicações (menos no SIRESP)..» (Luís Brás)

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Bem prega "frei" Marcelo !

Depois de estabilizados dos fogos deflagrados nos últimos dias e feito "o balanço da tragédia", Marcelo Rebelo de Sousa,  falou hoje ao país, conforme tinha sido anunciado em  nota previamente publicada no "site" da Presidência da República.
Para ser franco, acho que Marcelo, num discurso que não me pareceu particularmente bem construído, não foi além do expectável do "Presidente dos afectos" e se alguma crítica lhe pode ser feita, do meu ponto de vista, é essa precisamente.
É que na nota citada renova-se o apelo "a uma mudança de ponto de vista, traduzida em atos e não em palavras", apelo que é naturalmente dirigido ao Governo, eventualmente também à Assembleia da República, mas que vincula igualmente quem o faz, sob pena de incoerência.
Ora, com o discurso que acaba de fazer, não parece que Marcelo tenha passado da palavra aos actos. Demonstrações de afecto, pedidos de desculpa caem sempre bem, e melhor ainda quando partem de alguém que exerce as funções de Presidente da República, mas a este, enquanto tal, tem que se exigir mais. Se está correcta a interpretação de quem afirma que nas palavras de Marcelo está implícita uma clara censura ao Governo, então Marcelo deveria, seguindo o seu próprio apelo, passar da palavra aos actos e usar dos poderes que a Constituição lhe confere, dissolvendo a Assembleia da República, ou porventura, demitindo o Governo, observando naturalmente o que a Constituição estatui, num caso e noutro, arcando também, obviamente, com os (elevados) custos inerentes a qualquer das hipóteses.
Limitar-se a esperar que a "Assembleia da República clarifique se quer ou não manter em funções o Governo" é, quanto a mim, fazer de frei Tomás.
Não estou com isto a dizer que Marcelo deveria ter agido desta ou daquela forma. O que pretendo significar é que nem sempre o que se nos afigura como o mais adequado ou o mais conveniente está ao alcance da mão. De quem quer que seja. Marcelo incluído. 
(Imagem daqui)

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Quem gosta de ser enganado?

"Há uma coisa impossível de explicar a um jornalista. Na realidade, ela pode ser explicada a um jornalista e qualquer jornalista a consegue entender. Mas não a consegue usar no seu trabalho, que exige respostas e soluções simples e tão rápidas como as suas notícias. Essa coisa foi a que António Costa disse ontem: não só não pode garantir que o dia de ontem não se vai repetir como é seguro que, de alguma forma, vai acontecer de novo. O que o jornalista não pode compreender é que a resposta a um problema realmente importante é muitíssimo mais lenta do que o seu trabalho. É como pedir a um pugilista que jogue xadrez. Com luvas. Mas isso não pode determinar as decisões tomadas pelos políticos.(...)
(Daniel Oliveira: "Incêndios: claro que se vai repetir. Durante anos". Fonte)

Quem diz jornalista, diz outra pessoa qualquer. Quantos não ouvi já hoje lamentar que António Costa não tenha garantido que não voltará a haver incêndios com a gravidade e a dimensão dos que, este ano, têm ceifado vidas, devorado casas e florestas?
Não será, no entanto,  bem evidente que só com enorme demagogia é que uma tal afirmação poderia ser feita? Pois não é também claro que, como salienta Daniel Oliveira na peça citada, os problemas que  estão na base da dimensão das tragédias não se resolvem dum dia para o outro?
Quem é que gosta de ser enganado? Eu não. 

Não prescindo, no entanto, da exigência de serem tomadas, com a maior urgência, medidas, designadamente no âmbito do ordenamento do território, que evitem, no futuro, tragédias com a gravidade e a dimensão das que temos vivido.

Depois deste ano, nada poderá ficar como antes”, disse António Costa, já hoje. Espero que sim. De facto, repito, não gosto mesmo nada de ser enganado.

Finalmente a chover.

E bem.
Demorou a chegar, mas chegou.
Que belo tempo! E que alívio!

sábado, 14 de outubro de 2017

Acusação feita, sentença lida

«Escrevem os jornais, todos, e dizem as televisões, todas, que o Ministério Público quer que o Sócras seja impedido de exercer cargos públicos durante 5 anos "depois" de condenado. Não é "se", é "depois".» (Fonte)
Comunicação social: julgamento para quê ? Para esta espécie de gente um processo-crime é tal qual um chouriço: basta atar e pôr ao fumeiro.
Tenham vergonha!
(Reeditado)

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O diabo é isto...


Para a direita, claro!
Que raiva!

(Estudo de opinião efetuado pela Eurosondagem para o Expresso e SIC)

João Miguel Tavares, humorista?

"Não se enganem: aquilo que ficámos a conhecer não foi a acusação de José Sócrates, mas a acusação de um regime inteiro. " 
(...)
"Contudo, o julgamento que se aproxima não pode esgotar-se nele. É sobre Sócrates, sobre Salgado, sobre Vara, sobre Bava, sobre Bataglia, e sobre um regime construído por inúmeros ex-socratistas, que agora saem de cena na esperança de que esqueçamos o papel que desempenharem [sic] ao longo dos anos. Eu não esqueço. Aqui estarei para lembrar que Sócrates não ascendeu sozinho, não governou sozinho e, acima de tudo, não merece cair sozinho."
Que o caso se presta a tratamento humorístico não sofre dúvida, visto que o "Imprensa Falsa " também elaborou uma piada sobre o tema: "Operação Marquês: Jovens que receberam computadores Magalhães também vão ser acusados". Não garanto. porém, que a intenção de João Miguel Tavares tenha sido a de fazer humor. Porém, se excluirmos a hipótese de  estarmos perante  uma tirada humorística, então  a crónica donde respiguei os extractos supra, ao ir tão longe ao ponto de englobar na acusação "um regime inteiro", só pode ser vista como resultado de súbita alucinação. Temporária, espero.
(imagem e citações daqui

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma

Ontem escrevi, nestas páginas, um comentário sobre a anunciada candidatura de Pedro Santana Lopes à liderança do PSD, com o título "Insondáveis são os desígnios de Santana". 
Hoje, tendo acabado de ouvir o discurso de apresentação de candidatura à mesma liderança por parte Rui Rio e tendo, muito sinceramente, ficado sem saber ao que vem, tenho de dizer, para não discriminar Santana Lopes (que não me merece menos consideração que o seu rival nesta corrida),  que se os desígnios deste são insondáveis, os de Rui Rio não são menos imperscrutáveis.
Para dizer toda a verdade, acho que nem um, nem outro, são portadores de projectos com capacidade para entusiasmar os militantes e menos ainda capazes de motivar o eleitorado. 
Veremos, como diz, esperançadamente, o cego.
Entretanto, para minha ilustração e comentário adicional, respigo do "entusiasmante" discurso de Rui Rio o que segue: 
"O PSD não é nem será um partido de direita" (A esta hora, deduzo, o militante do partido e  candidato à Câmara de Loures, André Ventura, já não deverá constar dos ficheiros do partido. Ou será que um indivíduo que defende a pena de morte e a prisão perpétua, não sendo de esquerda,  como é sabido, pode perfeitamente ser do centro?)
"Na política, como na vida, palavra dada deve ser palavra honrada".(O dito é feliz, mas infelizmente,  não é original. Aliás, ainda estará para aparecer um político, ou candidato a tal, que se permita anunciar o contrário.)
"Para o PSD, este será o primeiro dia da sua caminhada para a reconciliação com os portugueses. Mas, para Portugal, este terá de ser, acima de tudo, o princípio do fim desta coligação parlamentar que hoje, periclitantemente, nos governa".(Que assim não seja, rogo eu a todos os sant@s e santinh@s da vossa devoção.)
(Foto Paulo Novais/lusa. Foto e citações: daqui

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Insondáveis são os desígnios de Santana

Não consigo imaginar o que pode motivar Santana Lopes a concorrer à liderança do seu partido (o PPD/PSD, como ele gosta de o designar), sobretudo sabendo que já desempenhou essas funções, não se podendo dizer que esse período da sua vida, durante o qual exerceu também as funções de primeiro-ministro, depois da debandada de Durão Barroso rumo a Bruxelas, tenha sido particularmente feliz.  Quem não se lembra da metáfora da incubadora?
Sem dúvida que a presença de Santana Lopes dá outro colorido a qualquer disputa e neste caso é expectável que tal aconteça pois não há dúvida que Pedro Santana Lopes é um político pouco ou mesmo nada convencional. Passa por ser um sedutor que, alegadamente, peca por ser demasiado instável. Dele, nesse sentido, se poderá dizer, com alguma verdade, que só estará bem onde não está. Tal não lhe dá, obviamente, nenhuma vantagem competitiva na corrida em questão. Eu diria até que muito pelo contrário.
Não se conhecendo, nem bem, nem mal, qual o programa que Santana Lopes vai submeter à apreciação dos seus companheiros, também  não é possível saber quais as linhas com que se coze, nem quais as mais-valias que poderá trazer ao partido.
Tratando-se de quem se trata, uma personalidade tão imprevisível, não sei se a sua candidatura à liderança não será apenas uma forma de fazer prova de vida, ou seja, uma prova de que, como anunciou em tempos que já lá vão, continua a andar por aí. Se for o caso, a primeira promessa, já bem antiga, já Pedro Santana Lopes a cumpriu.
(imagem daqui)

O complexo da rã no CDS

Durante o último debate quinzenal, no Parlamento, Jerónimo de Sousa dirigindo-se à líder do CDS-PP, que, de tão emproada com o resultado obtido na eleição para a Câmara Municipal de Lisboa, ainda se arrisca a rebentar pelas costuras, lembrou-lhe, com toda a propriedade, a fábula da rã que que queria ser boi.
Ao que parece, no CDS, a mania das grandezas não está a afectar apenas Assunção Cristas. De facto, João de Almeida, porta-voz do partido (que, não contando com as coligações, não obteve mais que 2,60% dos votos nas recentes eleições autárquicas) também já se sente com força para afirmar que o seu partido se deve assumir como alternativa ao PS.
"Com o sentimento de responsabilidade que temos, com a elevada fasquia que resulta desse resultado eleitoral, entendemos que o CDS se deve assumir como alternativa a esta governação, deve querer, e quer, representar todos aqueles que não se reveem nesta governação do PS, apoiada pelo BE e pelo PCP"- assim falou o porta-voz (na imagem).
Convém lembrar a um João de Almeida a pôr-se em bicos de pés que o complexo da rã que queria ser boi afecta igualmente outros batráquios e que idênticos são riscos: de tanto incharem, a rã e demais batráquios acabam por estoirar.
(Foto: ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA. Daqui)

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Passos Coelho tem lepra ? (Uma caixinha de surpresas com cenas pouco edificantes)

(Foto Miguel Manso / Público)
Surpresas é algo que não tem faltado no processo desencadeado na sequência da renúncia à recandidatura à liderança do PSD anunciada por Passos Coelho, no dia posterior às eleições autárquicas, numa atitude que se louva, embora, manifestamente, tal anúncio não fosse minimamente expectável face a declarações feitas anteriormente pelo mesmo Passos Coelho. A renúncia à recandidatura constitui, pois, ela própria, uma surpresa. A primeira, por sinal, mas, passe o pleonasmo, não tão surpreendente assim, visto que o vezo de Passos Coelho em dar o dito pelo não dito já vem de longe. Diria mesmo que tal comportamento faz, desde sempre, parte da sua idiossincrasia como político.
Mas surpresas, e de tomo, continuam a surgir em catadupa. Desde logo as desistências de personalidades apontadas como favoritas a substituir Passos Coelho, como Luís Montenegro, primeiro e Paulo Rangel, depois. Sobre as razões invocadas por um e por outro, já me pronunciei noutro post e não tenho razões que me levem a rever a opinião então manifestada. Muito pelo contrário. A leitura de alguma imprensa de fim de semana só contribuiu para cimentar a ideia de que a decisão de qualquer deles baseou-se tão só em calculismo e numa grande dose de  cinismo.
A meu ver, o PSD não perdeu nada com tais desistências e o país muito menos. Não percamos, pois mais tempo com tão fracas figuras, porque, ou eu me engano muito, ou qualquer deles passou à história com letra pequena. Isto, claro, se no PSD ainda restar alguma capacidade de memória e noção de dignidade, como suponho.
Para variar, há que reconhecer que surpresa não será a candidatura de Rui Rio, candidatura há muito falada e que, ao que dizem as crónicas, vai ser anunciada formalmente em Aveiro na próxima quarta-feira. Que assim seja!
De surpresa poderá voltar a falar-se, se a candidatura de Pedro Santana Lopes avançar, hipótese que, ao que garante o comentador televiso agora frequentemente apelidado de "bruxo de Fafe", continua em cima da mesa e que, a concretizar-se, trará algum colorido à disputa. As hipóteses de êxito de Santana Lopes, face a Rui Rio, parecem francamente diminutas. Ou, porventura, nenhumas, se estiver certo o dito segundo o qual "a mesma água nunca passa duas vezes por baixo da mesma ponte". Considerações desta natureza não serão, porém,  suficientes, nem de molde a esmorecer a vontade de Santana Lopes em se candidatar, se sentir que continua a ter algum apoio nas bases, como parece ser o caso,  porque Pedro Santana Lopes é um D. Quixote com sotaque português, para quem não há impossíveis.
Outra eventual surpresa seria a confirmação como candidato de um ilustre desconhecido  que ultimamente tem vindo a ser falado por diversas personalidades do partido,  que responde pelo nome de Miguel Pinto Luz. Que seja!
A grande surpresa, porém, a que assume a natureza de autêntico escândalo reside no facto de nenhuma figura das mais gradas pertencentes ao círculo dos colaboradores próximos de Passos Coelho se ter mostrado disposta a defender o legado político de Pedro Passos Coelho, que, estando de partida é, no entanto, um líder que só deixará de o ser por sua única e exclusiva vontade, ainda que pressionado pelas circunstâncias, como é evidente.
Não tenho por Passos Coelho (e nunca o escondi) nenhuma consideração, nem como político, nem sequer (ai de mim!) como pessoa. Também não considero que o seu legado, se algum deixa, mereça ser preservado. Isto, porém, é o que eu penso. Bem diferente teria de ser, como é óbvio, o entendimento dos que ao longo de mais de seis anos, no governo ou na oposição, passaram o tempo a exaltar a política de austeridade "custe o que custar" e medidas como a da redução do peso do Estado na economia, com a venda a pataco de tudo quanto era empresa pública; ou as que se traduziram em cortes de subsídios de férias, de salários da função pública e de pensões; ou na desvalorização do salários dos trabalhadores do sector privado e na precarização do trabalho assalariado. Etc. etc. etc. Esta política e estas medidas eram aplaudidas entusiasticamente por todos quantos volteavam em  redor de Passos Coelho.
Como se compreende, pois, que entre tanta gente, não apareça, agora, ninguém disposto a defender, desde logo na arena partidária, a excelência de tal política? 
Será que, como Saulo de Tarso, caíram subitamente do cavalo e viram finalmente a luz? Como não acredito em milagres, as explicações continuam por aparecer e não há dúvida de que os esclarecimentos em falta deveriam de partir de pessoas com especiais responsabilidades durante o passismo, como Maria Luís Albuquerque (na imagem supra), apontada, durante muito tempo, como sucessora natural de Passos Coelho, ou Marco António Costa (na imagem infra) o "dono" da máquina do partido, durante todo o longo período da governação passista.
De Maria Luís Albuquerque não se ouviu, até agora, nem um sussurro, o que é estranho tratando-se de pessoa sempre pronta a dar a sua opinião sobre tudo e sobre nada. 
Marco António Costa, sim, falou em entrevista dada ao "Expresso". Falou e disse coisas de espantar. Por exemplo, fica-se a saber que Luís Montenegro terá desistido de se candidatar, porque, lê-se no "Expresso", "estava demasiado colado a Passos". Tal como ele próprio, Marco António: "Ambos carregamos o facto (sic) de termos dado muito a cara no período difícil da governação".

Marco António Costa é, pois, claro.  A explicação para o comportamento dos colaboradores e, até há poucos dias, admiradores entusiásticos de Pedro Passos Coelho, de repente apenas empenhados em marcar distâncias em relação ao seu ainda líder, é, afinal, simples:
Passos Coelho, sem poder, tem lepra.
Como foi possível que a governação do país tivesse estado, durante toda uma longuíssima legislatura, entregue a gente desta ?  

(FotoNuno Ferreira Santos / Publico)
(Reeditado)